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O Traje Popular
Museu Nacional do Traje e da Moda



Apresentação

 

O Museu Nacional do Traje, desde o seu início, em 1977, teve como política de acção cultural a apresentação de indumentária civil. Sendo a sua colecção predominantemente urbana composta por Traje de Corte, já pertencente ao Estado, transferido do Museu Nacional dos Coches, e por doações de particulares, a falta de traje popular e regional fez-se logo sentir.

Para a exposição inaugural em que o museu apresentou "A História do Traje Civil em Portugal" com Traje de Corte e Urbano da sua colecção, foi solicitada a colaboração do Museu Nacional de Etnologia que apresentou a exposição "Traje Popular".

Mantendo a vontade de ter presente manifestações da Cultura popular e reconhecendo a escassez da nossa colecção continuámos a recorrer à colaboração de outras instituições. Nos primeiros tempos de organização do Museu foram adquiridos a um coleccionador local, diversos trajes da região de Viana do Castelo e recebidas ofertas de algumas Câmaras. No entanto, a grande entrada de peças de Traje Popular ficou a dever-se à vinda, em 1989, da colecção pertencente à Mocidade Portuguesa Feminina que integrava o Verde Gaio e que resultou na apresentação de "Trajes Míticos", exposição realizada por ocasião de Lisboa Capital da Cultura, em 1994, que permitiu uma interessante panorâmica deste tipo de traje a nível nacional, dada a grande variedade existente na colecção.(...)

Designa-se habitualmente por Traje Popular a indumentária usada pelo povo mais ligado ao trabalho rural agrário ou agro-pastoril ou à actividade piscatória, marítima ou fluvial, que vivia numa economia de fracos recursos, severa, sem excedentes, em que a maneira de trajar era ditada pelo ambiente natural: litoral ou interior do país, mar, rio, campo, planície, serra e pela adaptação à função que a pessoa exercia ou à circunstância em que o envergava, se no quotidiano para o trabalho do dia-a-dia, se no dia de descanso, o domingo, ou para a festa, arraial ou romaria.

Poder-se-ia mais propriamente designar Traje Regional, classificação mais adequada “pois atende ao traje como um dos elementos que compõem uma cultura ligada a um espaço e que reflecte uma mentalidade e uma tradição”...”mistura de elementos locais de profundas e seculares raízes culturais a que se foram justapondo outras formas eruditas a partir do século XVIII”.

O Traje, “produto do mundo rural em que se integrava”,...”era feito de linho e em lã, tratados, fiados e tecidos em casa, segundo um saber centenário e profundo – que era também amor – das coisas da natureza, das suas qualidades e segredos subtis – as plantas que fazem os tintos, as madeiras cuja cinza melhor branqueia as meadas – das formas e das combinações de cores, dos significados, dos usos, dos símbolos, na linha consagrada da tradição antiga, afinada ao longo das gerações e transmitida com o próprio pulsar do ritmo da casa, e que conferia o seu matiz original àquilo de que se apropriava, exprimindo assim as condições de cada região, ele era o espírito mesmo da variedade e da diferença”.

Mas, se o “traje tradicional de cada região acabou como elemento de pleno e natural sentido”, ele foi, no entanto, chamado a viver uma segunda vida com outras funções. Quer fosse de trabalho, de ir à missa ou de festa, cabe-lhe agora a missão de ser sempre de festa, no sentido de celebrar a vida, de ser evocativo de um viver ancestral, identificativo de uma região, e de um grupo social, com vida comunitária em sentido restrito, ou não, e de um Tempo em que o grupo, vivendo de forma coesa, forjou a sua identidade.

Hoje, quer seja usado pelo grupo folclórico, envergado para o desfile etnográfico ou apresentado na sala de um museu é verdadeiramente símbolo que afirma e perpetua a identidade de uma região nesta aldeia global que é o nosso mundo.

Ana Maria Brandão

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