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200 Anos de Vestidos de Baptizado, 1750-1950
Museu Nacional do Traje e da Moda



Apresentação

 

A exposição

Em 2006, O Museu Nacional do Traje realizou esta exposição com o intuito de divulgar ao público uma selecção de 40 vestidos de baptizado da vasta colecção desta tipologia de peças que o museu possui no seu acervo.

Estes 200 anos de vestidos de baptizado foram representados na exposição por alguns vestidos pertencentes a figuras históricas ou famílias portuguesas. Estas últimas têm, desde a fundação do Museu, doado os seus vestidos de baptizado que retratam um momento especial e percorreram várias gerações. Foram também expostos vários acessórios directamente relacionados com a temática do baptismo, muitos deles empréstimos provenientes de particulares, bem como empréstimos do Museu Nacional de Arte Antiga.

A exposição foi feita em parceria com A AJUDA DE MÃE, uma Instituição de Solidariedade Social, sem fins lucrativos, criada em 1991 e cuja missão visa apoiar mulheres grávidas e famílias que se encontrem em situações de dificuldade quer emocional, profissional ou finceira. A inaguração ocorreu no Dia da Mulher, justamente para prestar uma homenagem à Mãe.

200 Anos de Vestidos de Baptizado, 1750-1950

D.José mantém o esplendor da corte de seu pai. As encomendas fazem-se em França, desde os tecidos aos riquíssimos bordados a matiz que são executados para os aristocratas. Usam-se cores vibrantes para ambos os sexos e uma profusão de acessórios e jóias. Os vestidos de batizado seguem este figurino de que se destaca a cor púrpura e cardinalícia que serviu para prestigiar o filho do Marquês de Pombal que nasceu em 1748, com rendas executadas à mão.

A Revolução Francesa de 1789 conduz à drástica simplificação do vestuário. O período Imperial define-se em linhas direitas, cintura alta, alvos e transparentes tecidos numa sinfonia de brancos. O homem viriliza-se, adaptando calça comprida e muita discrição. O gosto virá a transformar-se com o romantismo que se instala com D.Maria II.

Os vestidos de baptizado redefinem-se no período napoleónico de que é magnífico exemplo o traje com que D.Miguel, filho de D.João VI e D.Carlota Joaquina, terá sido baptizado em 1802. Os longos vestidos brancos bordados a branco são característicos desta época. Cerca de 1830, as cores regressam, estando em moda o xadrez, inspirado nos romances de Walter Scott.

Os exilados Almeida Garrett e Alexandre Herculano, vêm a realizar simultaneamente uma revolução política e cultural. A plurarlidade de tendências caracterizou o gosto “bric-a-brac” dos liberais e dos vitorianos. Valorizou-se tudo o que era considerado sentimental, oriental e pitoresco.

Bordados feitos em casa ou mandados fazer fora, em casa de senhoras “de confiança”, eram a forma de preparar os famosos enxovais que constituíam o projecto de vida das mulheres. Sabiam lavores, tinham conhecimentos musicais assim como de alguma literatura. Os vestidos de baptizado ganham a preferência pelo branco. A cintura apresenta um ligeiro bico triangular que se usa nestes anos 50. O bico desaparece em 60, enfantizando-se a saia que é cada vez mais comprida. A respectiva decoração evolui de um grande motivo central (50), para decorações desenhadas em linhas horizontais (60), passando por alguma assimetria (75-80). A partir de 80, as ornamentações geometrizadas são feitas através da aplicação de bordado inglês. As rendas manuais são substituídas com frequência por rendas mecânicas, em excessos de sabor romântico que crescem até ao final do século.

Cabe à ama, a uma senhora da família ou à madrinha pegar no bebé ao colo, no dia do seu baptizado, já que a mãe, recém-parturiente, não suporta fazer esse esforço durante as longas cerimónias que eram realizadas à porta das Igrejas. Na Europa o movimento “Arte Nova” ganha uma crescente voga no domínio das artes decorativas. Em Lisboa, mantém-se um pesado gosto “fin de siècle”. A República é proclamada a 5 de Outubro de 1910. As transformações políticas e sociais são profundas, não lhes correspondendo um programa económico-financeiro.

Paris constituía no contexto europeu o centro da moda e o mito da elegância. Paul Poiret apresenta uma nova colecção em 1906 que revoluciona a moda. Passada a I Grande Guerra, é a “Garçonne” quem define os Anos Loucos. Por sua vez, é na figura de Greta Garbo que se centra o “glamour” dos cinéfilos dos Anos 30.

O fim da II Grande Guerra dá início a um período de liberdade e de hino à vida. Christian Dior é a personalidade que cria, em 47, o “New-Look”, em que a mulher se assemelha a uma flor. Em 50, o grande criador foi Balenciaga, tal como Chanel que retoma a Alta Costura, em 54, concebendo os seus famosos “tailleurs de tweed”.

No nosso país, “o” agente transformador da burguesia portuguesa foi, sem dúvida, a “refugiada de guerra”, mudando as mentalidades. Os vestidos de baptizado vão reflectindo as alterações estético-culturais, encurtam e sofrem progressivas simplificações. Continua a privilegiar-se o branco sob o qual se ousa, a partir dos Anos 20, colocar sombras de cor rosa ou azul claro para definir a roupa do menino e da menina. Nos Anos 40, os vestidos curtos têm bordados e renda mecânica, assistindo-se a um novo luxo que perdura até aos finais de 50.

Elsa Mangas Ferraz

Madalena Braz Teixeira

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