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Traje (de) Interior
Museu Nacional do Traje e da Moda



Apresentação

 

A colecção de traje interior do museu é constituída por mais de 2500 peças maioritariamente femininas, sendo as restantes masculinas e de criança. Este acervo, quer pelo seu valor histórico, quer material, ilustra a forma como o Homem ocultou as partes íntimas ao longo dos séculos.

A noção de roupa interior é relativamente recente na história do traje, podendo referir-se a Idade Média como ponto de partida para a evolução deste tipo de indumentária pois, é a partir dessa altura que se passa a usar roupa interior por baixo do vestuário quotidiano. No século XVII a roupa interior associava-se a hábitos de higiene, conceito que, neste período, estava mais relacionado com a limpeza do traje do que com a do corpo, sendo por isso executada com tecido branco, uma vez que este revelava o grau de higiene do seu portador.

O século XVIII foi marcada por variações no traje interior, do qual se destaca o "panier", espécie de ampla gaiola suspensa na cintura que desaparece em vésperas da Revolução Francesa, mantendo-se como peças interiores o espartilho e a camisa de dia. A partir de 1789, a figura feminina aligeirou-se. O traje exterior da época Império, caracterizado por uma fluidez e transparência, escondia por baixo uma “sombra” comprida e uma tira de tecido colocada sobre o peito para o suster.

Esta figura manteve-se até cerca de 1820, altura em que a silhueta da mulher voltou a mudar e o corpo foi novamente armado. Os espartilhos desta época existentes na colecção do museu são, na sua maioria, de algodão branco ou creme decorados com rendas e bordados, armados pelo interior com barbas de baleia, existindo no entanto, exemplares de cor preta ou cor-de-rosa, cores surpreendentes na brancura vigente.

A juntar ao espartilho, surgiu, a partir de 1842, uma armação circular, a crinolina, com amplos aros de verga ou de metal que alargava e ampliava as saias. Por cima daquela, os saiotes continuavam a ser usados e ornamentados na parte inferior com renda e folhos. Porém, em 1870, surgiu uma nova armação, a "tournure", cuja estrutura de metal, constituída por semi-círculos flexíveis, elevava a zonas dos rins fazendo com que o tecido das saias fosse projectado para trás caindo num drapeado volumoso.

É do século XIX uma parte considerável da colecção de roupa interior do museu. As camisas de noite femininas eram confeccionadas em linho ou algodão branco, com rendas, folhos, bordados, entremeios e fitas, associadas por vezes ao uso de toucas para dormir. As camisas de dia, sempre nos mesmo tons das de noite, eram ornamentadas de forma idêntica, fazendo conjunto com os corpetes e as culottes que protegiam e ocultavam os membros inferiores. Era habitual as peças apresentarem bordado o monograma do portador, denotando um sinal de propriedade.

O início do século XX, já sem o uso da tournure, foi marcado pela silhueta feminina em “S” originada pelo espartilho que projectava o peito e por uma “almofadinha” colocada na zona dos rins. As matinées e os penteadores, que transitaram do século anterior, eram usados pelas mulheres na intimidade doméstica, confeccionados em algodão branco ou tons suaves e ornamentados com uma profusão de rendas, folhos e fitas.

O “desaparecimento” do espartilho, em 1906, com Paul Poiret, redefiniu a silhueta feminina das futuras décadas. O traje interior, quer feminino, quer masculino, foi-se reduzindo e com o avançar do século XX foi sendo executado nas mais diversas matérias e fibras, como o nylon, muito usado nas combinações e nos babydoll. Na actualidade, o uso de cueca e soutien nas mulheres e das boxers nos homens, mantém a função de protecção aliada ao conforto, sendo inegável o seu aspecto prático.

Elsa Mangas Ferraz

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