MatrizNet

 
Logo MatrizNet Contactos  separador  Ajuda  separador  Links  separador  Mapa do Site
 
sábado, 26 de setembro de 2020    APRESENTAÇÃO    PESQUISA ORIENTADA    PESQUISA AVANÇADA    EXPOSIÇÕES ONLINE    NORMAS DE INVENTÁRIO 

Animação Imagens

Get Adobe Flash player

   
     
   
Traje (de) Interior
Museu Nacional do Traje e da Moda



Apresentação

 

A colecção de traje interior do museu é constituída por mais de 2500 peças maioritariamente femininas, sendo as restantes masculinas e de criança. Este acervo, quer pelo seu valor histórico, quer material, ilustra a forma como o Homem ocultou as partes íntimas ao longo dos séculos.

A noção de roupa interior é relativamente recente na história do traje, podendo referir-se a Idade Média como ponto de partida para a evolução deste tipo de indumentária pois, é a partir dessa altura que se passa a usar roupa interior por baixo do vestuário quotidiano. No século XVII a roupa interior associava-se a hábitos de higiene, conceito que, neste período, estava mais relacionado com a limpeza do traje do que com a do corpo, sendo por isso executada com tecido branco, uma vez que este revelava o grau de higiene do seu portador.

O século XVIII foi marcada por variações no traje interior, do qual se destaca o "panier", espécie de ampla gaiola suspensa na cintura que desaparece em vésperas da Revolução Francesa, mantendo-se como peças interiores o espartilho e a camisa de dia. A partir de 1789, a figura feminina aligeirou-se. O traje exterior da época Império, caracterizado por uma fluidez e transparência, escondia por baixo uma “sombra” comprida e uma tira de tecido colocada sobre o peito para o suster.

Esta figura manteve-se até cerca de 1820, altura em que a silhueta da mulher voltou a mudar e o corpo foi novamente armado. Os espartilhos desta época existentes na colecção do museu são, na sua maioria, de algodão branco ou creme decorados com rendas e bordados, armados pelo interior com barbas de baleia, existindo no entanto, exemplares de cor preta ou cor-de-rosa, cores surpreendentes na brancura vigente.

A juntar ao espartilho, surgiu, a partir de 1842, uma armação circular, a crinolina, com amplos aros de verga ou de metal que alargava e ampliava as saias. Por cima daquela, os saiotes continuavam a ser usados e ornamentados na parte inferior com renda e folhos. Porém, em 1870, surgiu uma nova armação, a "tournure", cuja estrutura de metal, constituída por semi-círculos flexíveis, elevava a zonas dos rins fazendo com que o tecido das saias fosse projectado para trás caindo num drapeado volumoso.

É do século XIX uma parte considerável da colecção de roupa interior do museu. As camisas de noite femininas eram confeccionadas em linho ou algodão branco, com rendas, folhos, bordados, entremeios e fitas, associadas por vezes ao uso de toucas para dormir. As camisas de dia, sempre nos mesmo tons das de noite, eram ornamentadas de forma idêntica, fazendo conjunto com os corpetes e as culottes que protegiam e ocultavam os membros inferiores. Era habitual as peças apresentarem bordado o monograma do portador, denotando um sinal de propriedade.

O início do século XX, já sem o uso da tournure, foi marcado pela silhueta feminina em “S” originada pelo espartilho que projectava o peito e por uma “almofadinha” colocada na zona dos rins. As matinées e os penteadores, que transitaram do século anterior, eram usados pelas mulheres na intimidade doméstica, confeccionados em algodão branco ou tons suaves e ornamentados com uma profusão de rendas, folhos e fitas.

O “desaparecimento” do espartilho, em 1906, com Paul Poiret, redefiniu a silhueta feminina das futuras décadas. O traje interior, quer feminino, quer masculino, foi-se reduzindo e com o avançar do século XX foi sendo executado nas mais diversas matérias e fibras, como o nylon, muito usado nas combinações e nos babydoll. Na actualidade, o uso de cueca e soutien nas mulheres e das boxers nos homens, mantém a função de protecção aliada ao conforto, sendo inegável o seu aspecto prático.

Elsa Mangas Ferraz

imagem
 
     
     
   
     
     
     
 
Secretário Geral da Cultura Direção-Geral do Património Cultural Termos e Condições  separador  Ficha Técnica