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Os Leques
Museu Nacional do Traje e da Moda



Apresentação

 

Os Leques nas Colecções do Museu Nacional do Traje

Desde a sua criação oficial, o Museu Nacional do Traje integra, no seu vasto acervo, uma colecção de leques, reconhecendo deste modo o lugar histórico deste objecto como acessório indispensável de indumentária feminina. (…)

O Museu Nacional do Traje tem promovido novas incorporações de leques (…), contando, actualmente, mais de 300 peças, que constituem uma das colecções mais significativas do país.

Embora inclua alguns exemplares do século XVIII, esta colecção é especialmente representativa do século XIX e inícios do século XX, período marcado pela grande diversidade de tipos - consequência da generalização do uso do leque - , pela descoberta e utilização de novos materiais e técnicas, pela variedade das temáticas representadas e ainda por novas formas de utilização, originando novas funções.

Quanto à estrutura, a colecção integra os tipos mais em voga na Europa dos séculos XVIII, XIX e XX: os leques de folha dobrada, os brisé, os leques de renda e ainda os exuberantes leques de penas. A preponderância numérica dos leques de folha dobrada traduz igualmente a preferência dada a este tipo, desde a sua introdução na Europa no século XVI, protagonizada pelos portugueses.

A origem maioritariamente estrangeira deste espólio, com claro predomínio de leques franceses, espelha também a histórica adesão dos portugueses à moda estrangeira, principalmente francesa, e evidencia a debilidade de uma indústria nacional incapaz de responder à procura de produtos de luxo.

Por outro lado, a presença significativa de leques orientais, chineses e japoneses, particularmente apreciados na Europa como produtos exóticos e de baixo preço relativamente aos leques fabricados na Europa, remete para o importante papel desempenhado pelos portugueses na importação destes leques que vieram aos milhares através de Macau, onde também se fabricavam. Sobretudo ao longo do século XIX, este comércio permitiu a constituição, no nosso país, de um importante mercado de leques chinas, que chegámos a exportar para França, que era então a capital mundial da moda, do luxo e dos leques.

O núcleo de leques orientais é constituído por peças dos séculos XVIII, XIX e XX que, em alguns casos, mostram claramente terem sido encomendados pelo ocidente. Alguns primam pelos complexos e delicados trabalhos das varetas, em marfim ou em tartaruga. Na colecção, encontram-se igualmente bem representados os vulgares leques designados habitualmente por "Carinhas".

A riquíssima e variada temática que caracterizou a pintura de leques encontra-se ilustrada nesta colecção. Dos temas historiados e mitológicos, (…) temática bíblica, (…) cenas de género, (…) temática comemorativa. (…)

De finais de oitocentos encontram-se também leques assinados por artistas de renome como Rafael Bordalo Pinheiro, Levy ou Félix Aubert. E será na Belle Époque que se ensaiam novas formas nas folhas dos leques, de preferência assimétricas e ondulantes, ou procurando-se efeitos mais arrojados que quebram com a tradicional composição bipartida - entre colo e folha - através de decorações florais ou vegetalistas que transcendem a própria folha do leque, invadindo o colo. (…)

Como objecto de luxo, o leque foi obrigatoriamente usado em todas as ocasiões - durante o dia, com os vestidos sérios ou com o vestido de passeio, e durante a noite, com o vestido de gala ou com o vestido de ópera - dando corpo, desde os finais do século XVII, a uma linguagem amorosa, codificada, que se furtava ao rigor dos costumes, e que se instituiu na sociedade durante os dois séculos seguintes. (…)

A colecção testemunha também as novas funções atribuídas aos leques pelos finais de Oitocentos e inícios de Novecentos. Entre outros, alguns exemplares documentam o uso dos leques como objectos de simples recordação de uma festa ou de uma viagem, ou apenas para indicar um menu de um jantar requintado (leque menu), ou para servir de enfeite como pendentif, e até mesmo como manual de quiromancia. O aparecimento de publicidade nos leques teve como base a função propagandística dos leques comemorativos e constituiu um precedente do actual costume de usar roupas com emblemas, marcas ou até slogans estampados. (…)

Esta colecção representa o reconhecimento oficial do leque como objecto artístico [revelado na diversidade dos materiais, das temáticas, formas e dimensões].

Paulo Campos Pinto

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