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Estravagâncias e novos ritmos na década de 1920
Museu Nacional do Traje e da Moda



Apresentação

 

EXTRAVAGÂNCIAS E NOVOS RITMOS na década de 1920

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) acelerou e demarcou as novas condições sociais, culturais e políticas da Europa. Este período conhecido como os Loucos Anos 20, foi uma época de prosperidade, de procura do prazer, de usufruto da vida nocturna e de renovação artística.

O consumo de revistas de moda generalizou-se, sendo as mais populares a “Voga”, “Modas & Bordados” e “Eva”. Contudo, as tendências de moda continuaram a chegar de França através das elites burguesas, que compravam e se inspiravam nas propostas das casas de Alta Costura parisienses. Em simultâneo, os grandes armazéns continuavam a implementar novos hábitos de consumo e a democratizar a moda.

A Garçonne personificava a mulher moderna e livre, que conduzia, fazia exercício, fumava em locais públicos e dançava ao ritmo dos frenéticos Fox trot e Charleston. Simultaneamente, o desenvolvimento da rádio e da indústria de discos e gramofones impulsionava a música ligeira e divulgava-a junto de um público mais abrangente.

TRAJE FEMININO

O vestuário feminino deu o passo definitivo para a funcionalidade, acompanhando o estilo Art Déco, caracterizado por uma decorativa e elegante geometria. A jovem da década de 1920 rejeitava as formas generosas e curvilíneas do corpo de inícios do século XX, procurando uma figura andrógina.

Os vestidos de linhas direitas com cintura descaída, enfatizavam um peito liso e um corpo sem curvas. Os decotes amplos e os braços desnudados eram atributos dos vestidos de dia e de noite. O comprimento das saias foi variando ao longo da década, mas só as mulheres mais jovens se atreviam a mostrar os joelhos.

Todavia, o traje feminino para a noite apresentava características específicas. Para dançar os vestidos eram curtos, com grandes decotes redondos ou quadrados e geralmente cortados em evasée. Os tecidos mais apreciados eram os chiffons, as mousselines, os crepes e os cetins, que se enchiam de missangas, lantejoulas, bordados, rendas e franjas. O preto, embora fosse a cor de eleição, rivalizava com os vestidos de cores mais vivas.

Por esta altura, as criações de Gabrielle “Coco” Chanel (1883-1971) destacavam-se pelas suas propostas simples e sóbrias que traduziam os anseios das mulheres modernas. Esta criadora introduziu com sucesso, os vestidos pretos de corte despretensioso, as calças e as práticas malhas Jersey.

Com a implementação dos vestidos curtos, os sapatos e as meias tornaram-se peças de relevo que se coordenavam com as toilettes. A biqueira do sapato era pontiaguda e os saltos altos eram torneados. De diversos materiais, para a noite, apreciavam-se as cores douradas e prateadas e os elementos com efeitos de brilho. Durante o dia usavam-se meias brancas ou meias de tom creme que davam um ar de nudez às pernas. Contudo, as meias de seda natural ou artificial com padrões e cores vibrantes também eram apreciadas.

Os cabelos compridos e apanhados da Belle Époque foram substituídos pelos cabelos curtos, de estilo prático, denominados “à Joãozinho” ou de corte “à Beatriz Costa”, que tão bem reflectiam a nova postura e valores da mulher na sociedade. Sobre estes usavam-se chapéus em forma de sino, denominados de cloches. As capelines, já sem os excessos decorativos do período anterior, continuavam a ser muito utilizadas.

Na década de 1920, novos avanços tecnológicos permitiram o desenvolvimento e o crescimento da cosmética. A maquilhagem tornou-se mais complexa, tendo surgido vários produtos, como o batom num prático tubo retráctil, o lápis de sobrancelhas, o rímel para alongar as pestanas, as sombras para acentuar o olhar e a caixa de pó compacto de rouge. Para as unhas a grande novidade foi o verniz, especialmente em tons vermelhos. Sem esquecer o perfume, o acessório invisível da moda.

TRAJE MASCULINO

Na década de 20, nas cidades generalizou-se o uso dos casacos cintados de tweed, espinhado ou em xadrez, de tons sóbrios. Estes eram acompanhados por calças muito largas com pregas e dobra na extremidade inferior, de tecido liso ou de fantasia. Esta nova forma de vestir, rejeitava os códigos de vestuário tradicionais e representava uma postura mais funcional e desportiva.

O smoking transformou-se definitivamente no traje masculino preferido para os eventos semi-informais, como jantares públicos ou privados, bailes e festas. Composto por casaco curto de cor preta com frentes arredondadas nas extremidades e lapelas de cetim de seda, era acompanhado por calças e laço do mesmo tom. No seguimento da década anterior, os fraques e as casacas continuavam a utilizar-se nas ocasiões mais solenes.

Os cabelos usavam-se curtos com brilhantina e a cara escanhoada, por vezes acompanhada de pequeno e elegante bigode. Para cobrir a cabeça preferiam-se os chapéus de copa mole e os chapéus de palhinha. A meio da década as gravatas adquiriram a sua forma actual, confeccionadas de seda ou lã, e os laços surgiram em diversos tons e padrões. As polainas começaram a cair em desuso e usavam-se sapatos de atacadores, muitas vezes bicolores.

Dina Caetano Dimas

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