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Os Loucos Anos 20
Museu Nacional do Traje e da Moda



Apresentação

 

Elegância e Brilho na Coleção do Museu Nacional do Traje

A implantação da República em Portugal (1910) e a Primeira Guerra Mundial (1914/18) transformam as condições sociais e políticas da Europa. Este período também conhecido como os Loucos Anos 20, é uma época de prosperidade, de procura do prazer, de usufruto da vida nocturna e de renovação artística.

O consumo de revistas de moda generaliza-se, sendo as mais populares a Voga, Modas & Bordados e Eva. As tendências de moda continuam a chegar de França através das elites burguesas, que compram e se inspiram nas propostas das casas de Alta Costura parisienses.

Em simultâneo, os grandes armazéns implementam novos hábitos de consumo e democratizam a moda. O vestuário feminino dá o passo definitivo para a funcionalidade, acompanhando o estilo Art Déco, caracterizado por uma geometria decorativa e elegante. A jovem da década de 1920 rejeitou as formas generosas e curvilíneas do corpo de inícios do século XX, procurando uma figura andrógina de peito liso.

A Garçonne, de silhueta andrógina, personifica a mulher moderna e livre, com o cabelo muito curto e abundante maquilhagem. Ela dança e fuma em locais públicos. As mulheres usavam os cabelos curtos, do prático estilo "bobbed" (1922) ao radical corte "Eton" (1926), que tão bem reflectiam a nova postura e valores da mulher na sociedade.

Os vestidos de linhas direitas com cintura descaída, enfatizam um peito liso, e um corpo sem curvas. O comprimento das saias varia ao longo da década. Contudo, só entre 1926 e 1928 é que estas descobrem os joelhos, tornando-se uma forte imagem desta época. Independentemente da época, o traje de noite sempre adoptou as tendências do traje do dia-a-dia.

Os decotes amplos e os braços desnudos são atributos quer dos vestidos de noite como dos vestidos de dia. Contudo, o traje feminino para a noite apresenta características específicas. Para dançar os vestidos eram curtos, com grandes decotes redondos ou quadrados e geralmente cortados em evasée.

Os tecidos mais apreciados são os chiffons, as mousselines, os crepes e os cetins, que se enchem de missangas, lantejoulas, bordados, rendas e franjas. O preto, embora seja uma cor de eleição, rivaliza com os vestidos de cores vivas. As mangas cavas exibem os braços que logo se cobrem com luvas altas.

Com a implementação dos vestidos curtos, os sapatos e as meias passam a ser peças de relevo que se coordenam entre si e com os vestidos. A biqueira do sapato era pontiaguda e os saltos altos eram torneados. De diversos materiais, para a noite apreciavam-se as cores douradas e prateadas e os elementos com efeitos de brilho.

Durante o dia usavam-se meias creme que davam um ar de nudez às pernas. Contudo, as meias com padrões e cores vibrantes também eral apreciadas, de seda natural ou artificial. Na década de 1920, novos avanços tecnológicos permitem o desenvolvimento e o crescimento da área da cosmética.

A maquilhagem torna-se complexa, surgem o batom em tubo retráctil, o lápis de sobrancelhas com pigmentos para as sobrancelhas depiladas, o rímel, as sombras para demarcar o olhar e a caixa de pó compacto de rouge mais facilmente transportável e aplicável.

Para as unhas a grande novidade é o verniz, especialmente em tons vermelhos. Sem esquecer o perfume, o acessório invisível da moda. O Museu Nacional do Traje apresenta uma selecção de peças da sua vasta colecção de traje e acessórios femininos e de criança, ilustrando o espírito tendencialmente moderno e livre dos chamados Loucos Anos 20.

"Uma menina deve ser duas coisas: elegante e fabulosa." Coco Chanel

Dina Caetano Dimas

Xénia Flores Ribeiro

Este texto não foi escrito ao abrigo do acordo ortográfico.

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