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FICHA DE EVENTO
Museu:
Museu Dr. Joaquim Manso
Tipo:
Exposição
Denominação:
Como se veste a Nazaré? A tradição hoje
Datação:
2014 - 2014
Local:
Centro Cultural da Nazaré
Descrição:
Exposição que pretendeu evidenciar a continuidade do traje tradicional da Nazaré, apoiando-se na participação da comunidade, nomeadamente na cedência das informações e das peças de vestuário que figuram na referida exposição. Para além de uma vintena de modelos cedidos pelas senhoras entrevistadas (acompanhados por um legenda desenvolvida com a sua "história de vida"), estiveram em exposição fotografias, pinturas, postais e peças de traje do Museu Dr. Joaquim Manso, ilustrativos da sua evolução ao longo do século XX e do seu significado e uso(s) em termos turísticos. Figurou ainda um DVD com fotografias e filmagens das entrevistas e trabalho de campo realizados entre 2013 e 2014 pela equipa do Museu. Esta exposição decorreu de um projeto de investigação antropológica entre 2013 e 2014, em estreita colaboração com a comunidade local, para identificação das características atuais do traje da Nazaré, que permanece em uso no quotidiano pela mulher e, por isso, se vai adaptando aos ditames da moda, dos novos tecidos e materiais. Com esta iniciativa do âmbito do inventário do património imaterial, o Museu Dr. Joaquim Manso, detentor de uma considerável coleção sobre o traje tradicional da Nazaré desde o princípio do século XX, pretende registar as suas permanências, resistências e alterações no início do século XXI, reconhecendo que esta será porventura a última geração a utilizá-lo no seu quotidiano, atendendo às mudanças socioeconómicas da região e do país. A INAUGURAÇÃO decorreu no dia 18 de maio, no âmbito das comemorações do Dia Internacional dos Museus, cujo tema proposto pelo ICOM Internacional para 2014 era “Museus: as coleções criam conexões”, remetendo-nos para estes espaços como instituições vivas, que ajudam a criar laços entre objetos, visitantes, gerações e culturas em todo o mundo. O programa da inauguração contemplou a atuação do rancho folclórico “Tá-Mar da Nazaré”, cujos elementos envergam o traje tradicional. A exposição foi complementada pelo COLÓQUIO “Memórias, Turismo e trajes tradicionais”, no dia 31 de maio, no auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré, com comunicações de Cristina Luz, João Alpuim Botelho, Paulo Costa e José Maria Trindade. GUIÃO DAS ENTREVISTAS: Dóris Santos e Tatjana Stefanovic (antropóloga Sérvia, voluntária em 2013). Entrevistas realizadas por: Deolinda Brites, Manuela Conde, Maria Deolinda Anastácio, Maria de Fátima Laborinho, Neusa Remígio, Nina Pavlovsky (voluntária), Paula Freire e Tatjana Stefanovic. Revisão: Dóris Santos e Cecília Nunes. Textos da exposição: Dóris Santos. COLABORAÇÃO NO PROGRAMA: Câmara Municipal da Nazaré, Junta de Freguesia da Nazaré, rancho folclórico “Tá Mar da Nazaré”, Casa dos Escoceses, João Conceito Publicidade, Valente & Hilário, Lda. TEXTO DE INTRODUÇÃO DA EXPOSIÇÃO, POR DÓRIS SANTOS: "Como se veste a Nazaré? A tradição hoje Embora emblemático, são poucos os estudos sobre o traje tradicional da Nazaré, que se espraiam para além do elogio às suas características tidas como peculiares, num todo inegavelmente colorido, associado à multiplicidade dos padrões, das saias e bordados dos aventais. Abílio de Mattos e Silva dedicou-lhe o álbum “O Trajo da Nazaré” (1970), a partir de recolha datada dos anos 1930, quando residiu na vila, com atenção pormenorizada aos cortes e modelos, própria de um figurinista da cena teatral. O Museu Dr. Joaquim Manso, em 1981, edita “Trajo Tradicional da Nazaré” e, mais recentemente, num intento comparativo, programa a exposição e catálogo “O Trajo do Litoral Português” (2003). Discussão à parte sobre a tipificação dos trajes e a veracidade (ou não) da sua “invenção” pelo Estado Novo, encontramos, desde finais do séc. XIX, fotografias de “senhoritas” vestidas “à nazarena” quando aqui vinham veranear. O traje da Nazaré assume-se como indissociável do “ser nazareno” e de uma construção memorial. Traduz uma comunidade conservadora da sua identidade que, apesar de se relacionar cedo com a abertura multicultural do turismo, ou talvez em parte sujeita a este, mantém características de perseveração da memória coletiva. Esta encontra-se admiravelmente enraizada, quer despretensiosamente, quer já num registo saudosista. Quem percorre as ruas da Nazaré ainda se depara com o mulherio em vestimentas tradicionais, uma última geração que já não sabe vestir-se senão com “saia de roda”, que assim se veste em todo o lado, orgulhosamente, mesmo quando sai da Nazaré. Estas mulheres são um “património vivo”, autênticas embaixadoras da Nazaré. De uma vila piscatória tradicional, com beleza natural e marítima, que fascina turistas de todo o mundo em parte graças a esta aliança entre a tradição e a modernidade do novo relacionamento com o mar, que passa cada vez mais pelo turismo e pelo desporto. O Museu Dr. Joaquim Manso é detentor de considerável coleção de traje da Nazaré. Querendo conhecer a atualidade, o Museu apresenta os primeiros resultados do projeto “Como se veste a Nazaré? A tradição hoje”, baseado em entrevistas às nazarenas que usam o traje, em curso desde 2013. O homem praticamente já não veste o traje tradicional, a não ser a “camisa à pescador” no Carnaval ou em dias festivos, feita de escocês, com nervuras e pestanas, fechando com filas enviesadas de 3 botões. No entanto, são muitas as mulheres que continuam a vestir “saia de roda” no dia-a-dia, sobretudo com idades a partir dos 60 anos e peixeiras (ou já reformadas), seguindo os passos dos pais. Em continuidade, as peças que compõem o traje: blusa (“casaco” ou “camiseiro”), 1 “saia de cima” e várias “saias de baixo” (1 ou 2 no dia-a-dia; 5, 6 ou até mais, em dias de festa), lenço (“cachené”), avental, capinha ou “écharpe” e chinelas nos pés. No inverno, as capinhas de malha e meias de lã até ao joelho resguardam do frio. No verão, muitas vezes, as saias dão lugar apenas a um avental “traçado”. Em festa ou “dias santos”, “vestem-se a rigor”. Os aventais tornam-se na peça mais apelativa e enchem-se com o colorido dos bordados, já raramente feitos à mão; as mangas das blusas terminam em rendas largas (hoje, soltas e aplicadas com elástico); as chinelas de couro passam a verniz ou camurça; o ouro dos fios, cordões e brincos (com fotografias em esmalte) abrilhantam a vaidade. Definitivamente, já se perderem as longas capas pretas e o chapéu de feltro com a borla de lã ou seda. Porque, na sua origem, se adequava às tarefas relacionadas com o peixe e às horas passadas na praia, o traje continua a ser usado mas com adaptação à vida moderna, ao gosto individual, aos ditames da moda e ao mercado dos tecidos, como aliás também se verificou na primeira metade do século XX. A altura das saias sobe ou desce, os tecidos e seus padrões são alimentados por um comércio tradicional (feira semanal; “Casa dos Escoceses” ou “do Crispim”; loja da Clotilde ou “do Vitor”; loja do Zé Paleco, já encerrada) que, por sua vez, também (sobre)vive desta procura. Cerca de uma dezena de costureiras (“Marias”, Ana Emília, Lídia da Sardoa, entre outras; a saudosa Ausenda) é responsável pela confeção das peças; bordam as blusas e aventais outras tantas (Marina, Dalinha, …), raramente as próprias. Esta forma de vestir passava de mães para filhas e tem os seus “segredos”, que se traduzem em vocabulário próprio. Não sendo adequada aos novos empregos dos serviços e comércio, e numa época em que a maioria dos jovens nazarenos vive e trabalha fora da vila, augura-se a perda dessa informação. O Carnaval e os grupo folclóricos chamam a si esse papel de transmissão. Mas, a continuidade da “saia de roda” apenas será genuinamente assegurada se for como tem sido até agora, … nas famílias, no quotidiano".
 
     
     
   
     
     
     
 
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