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FICHA DE ENTIDADE
Museu:
Denominação:
Pires, Diogo, o Velho
Tipo:
Autor
Nascimento:
Século XV (?)
Biografia:
A escultura de Diogo Pires-o-Velho espelha o dinamismo continuado das oficinas sediadas em Coimbra, desde o terceiro quartel do século XV até aos meados da década de 1510. A composição escultórica das imagens, o delineamento das cabeças das figuras e a concepção monumental da tumulária que lhe são atribuíveis denotam influências da escultura do tardo-Gótico internacional, nomeadamente dalguma produção das regiões italianas. O seu modo pessoal é identificável através de um agrupamento coerente de imagens entre as quais se destacam a Virgem com o Menino da igreja de Leça da Palmeira - encomenda régia de D. Afonso V (1446-1481), em Agosto de 1481, para o Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição de Matosinhos onde ficou ao culto desde 1483 até 1852 (Barroca 2002) -, o Cristo, de Vouzela, um Santo André conservado no MNMC (Inv. 4048 E54) e um conjunto de imagens de São Tiago e Santo André pertencentes ao acervo do MNAA (Inv. 988 Esc, Inv. 1093 Esc, Inv. 1099 Esc; Inv. 952 Esc). Diogo Pires-o-Velho foi verdadeiramente inovador na arte da tumulária. O monumento funerário do Marquês de Valença na igreja colegiada de Ourém (c. 1485-1487) e o de Fernão Teles de Meneses na igreja-panteão do mosteiro de São Marcos, Tentúgal (década de 90 do século XV), a ele atribuídos, renovam a tipologia, que teve o seu início no mosteiro da Batalha, da edícula sepulcral inscrita na parede através da inserção do conjunto tumular sob amplos dosséis. Remetendo-se assim grande parte da obra escultórica para os jacentes, diminuía a importância das superfícies parietais das arcas, que ficavam então mais livres para a ornamentação vegetalista e para o lavrar dos relevos com motivos heráldicos e emblemáticos. No vibrar da forma ornamental e na escolha da gramática, pode reconhecer-se nestas obras de escultura funerária de Diogo Pires-o-Velho um sentido da matéria pétrea e o uso de temas – como acontece nos homens silvestres do túmulo de Fernão Teles de Meneses – que já não estão distantes dos futuros caminhos do período manuelino. Assume assim o lugar de protagonista do ofício da escultura no fim do século de Quatrocentos. Este desempenho foi regiamente recompensado, chegando "Diogo Pires imaginador" a ser reconhecido como Cavaleiro da Casa Real e a receber de D. Afonso V a tença de um moio de trigo logo em 1473 (Viterbo 1900). O seu modo de esculpir imaginária reconhece-se quando talha com individualidade a cabeça dos santos, conjugando uma forte doçura sem tempo, de intensa concentração icónica, com o talhe mais humanizado onde ecoa alguma gentileza do gótico internacional, ou quando associa articuladamente algumas formas de drapeado na mesma veste, seja ao animar a densidade dos panejamentos com pregueados em harmónio ou ao escavar profundas concavidades com efeitos de claro-escuro luxuosos. Rostos de grande correcção anatómica, habitualmente ovais, encaixados sobre densos pescoços cilíndricos, óculos dos olhos arredondados ganhando volume ao semicerrarem-se, sobrancelhas finas, narizes afilados, bocas pouco abertas mas polpudas, queixos pequenos e salientes, cabelos compridos lançados a acompanharem os desenhos das cabeças e com ondulações marcadas por estrias paralelas, melenas alteadas ao nível das orelhas encaracolando-se depois nas pontas, mãos de dedos circulares e longos - um pouco arcaicas à maneira do que Mestre Pero tinha criado já no século XIV – singularizam imagens das Virgens, das Santas ou dos Santos. Nestas marcas de expressão naturalista não se esconde, contudo, o sentido do volume ainda gótico, sobretudo na concepção dos corpos que se mantêm escondidos sobre os panejamentos apesar de um sábio domínio das regras das proporções que conferem à sua imaginária um alteamento de escala que era raro na imaginária portuguesa anterior. A técnica da representação pétrea dos panos parece ter seduzido permanentemente o mestre, que atinge o auge do seu domínio no majestoso dossel têxtil que se desprende da estrutura arquitectónica do Túmulo de Fernão Teles de Meneses.
 
     
     
   
     
     
     
 
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