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FICHA DE ENTIDADE
Museu:
Denominação:
Alvarez, José Cândido Dominguez
Tipo:
Autor
Nascimento:
Porto, 1906
Óbito:
Porto, 1942
Biografia:
Filho de pais de naturalidade galega mas nascido no Porto, chamou-se de seu nome completo José Cândido Dominguez Alvarez. Aos 20 anos matricula-se no curso de Arquitectura da Escola de Belas-Artes do Porto, onde se mantém dois anos, mudando logo a seguir para o curso de Pintura, onde teve como mestres Dordio Gomes, Acácio Lino, Aarão de Lacerda, Joaquim Lopes. Só terminaria a sua formação académica em 1940, com a classificação de 20 valores e durante os dois anos seguintes foi bolseiro do Instituto de Alta Cultura e professor da Escola Infante D. Henrique. Integrara entretanto, como um dos mais empenhados protagonistas, o grupo de artistas da Escola de Belas Artes do Porto que lança, em 1929, o manifesto + Além, contra o ensino académico, contra os valores naturalistas de Marques de Oliveira, contra a arte como fenómeno mundano, acontecimento que marcará toda a sua vida de marginalidade em relação aos valores instituídos. Outro facto marcante é o seu interesse obsessivo pela Galiza e pela Espanha em geral, na qual encontrará em várias viagens motivos de inspiração e influ¬ência quer temática quer estética, nomeadamente em El Greco e nos contem¬porâneos como Castelao, Laxeiro Masside, Solana. José Augusto França integra-o no segundo modernismo português, juntamente com Mário Eloy e Júlio Reis Pereira. F. Lanhas definiu na sua obra três períodos fundamentais. Na fase vermelha, ini¬ciada em 1926 utiliza cores intensas e pouco trabalhadas, ao mesmo tempo que um paisagismo incipiente e urbano, de que é exemplo o Aspecto da Sé do Porto (258 Pin MNSR) e o núcleo das fábricas, logo a seguir marcado por laivos expressionistas e povoado de homens tortos, como no Enterro do Pobre, Largo da Ramadinha, Pomar da Foz, Cemitério, Adega do Galo, Bêbados, etc. Seguem-se algumas incursões sem consequências no âmbito da abstracção, onde se mantém o mesmo colorido. Entre 1932 e 1937 situa-se a fase dos quadros fantásticos, “figuras de loucos, cemitérios, igrejas e montes de Espanha, com cores opacas, luz sideral e linhas elevadas que desmaterializam em tensão expectante ou espectral, figuras, objectos, elementos paisagísticos carregados de indisíveis presságios”. São dessa época as paisagens de Castela, de Torrelobatón, Villaluenga, assim como os vultos da solidão como O Bispo, Quixote, O Louco, Homem de Cartola. Regressa então ao paisagismo, com outra maturidade técnica, abdicando de ser diferente dos outros, regressando ao Porto e às paisagens nortenhas como as de S. João da Ribeira em Ponte do Lima (259 Pin MNSR). Participara em 1929 na exposição colectiva do grupo + Além no Salão Silva Porto, onde no ano seguinte expõe, desta vez em conjunto com Artur Justino, do mesmo grupo. Será aí também que realiza em 36 a sua única exposição individual. Dois anos depois verá as suas obras recusadas na III Exposição de Arte Moderna do Secretariado de Propaganda Nacional, mas logo aceites na exposição do ano seguinte. Em 1942 depois da sua morte, tem lugar, mais uma vez no Salão Silva Porto, a primeira exposição retrospectiva da sua obra, organizada entre outros por seu pai e os pintores Guilherme Camarinha e Dordio Gomes, e sob a égide do Instituto de Alta Cultura, na qual se expõem, sem selecção nem critério, cerca de 300 obras suas, e que será repetida no ano seguinte em Lisboa na Sociedade Nacional de Belas Artes. Nos anos 50 vários acontecimentos trazem para primeiro plano a sua figura de inconformista e solitário. Assim acontece em 1951 com a criteriosa e elabora¬da exposição que Fernando Lanhas, João Menéres Campos e Alberto Serpa sobre ele organizam no Ateneu Comercial do Porto, onde quiseram que “nela se reunisse o mais importante por pessoal, portanto o mais original, da obra do Artista... que lutou heroicamente contra um meio que não pode acompa¬nhar todas as dimensões dela...” Seguir-se-á a abertura da Galeria Alvarez, homenagem de Jaime Isidoro e António Sampaio, e este período de “recupera¬ção” do pintor encerrará com a publicação do livro Alvarez de Alberto Serpa, nas Edições Artis em 1958. Nos anos 80, e à volta do centenário do seu nascimento, várias manifestações procuram posicioná-lo na arte moderna portuguesa. Assim a revista Prelo da Imprensa Nacional Casa da Moeda dedica-lhe um número, e em 1987 a Secretaria de Estado da Cultura organiza em Lisboa e Porto uma exposição retrospectiva da sua obra “... procu¬rando emendar erros de omissão que deixaram, até agora numa sombra relati¬va alguns dos mais válidos investigadores no domínio das Artes Visuais...”.
 
     
     
   
     
     
     
 
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