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FICHA DE ENTIDADE
Museu:
Denominação:
Marques de Oliveira, João
Tipo:
Autor
Nascimento:
Porto, 23/08/1853
Óbito:
Porto, 00/00/1927
Biografia:
Nasceu no Porto em 23 de Agosto de 1853. Começou a sua aprendizagem artística muito novo com o mestre particular António José da Costa, matriculando-se em seguida na Academia Portuense de Belas Artes. Frequentou-a entre 1864 e 1873, terminando com bom aproveitamento o curso de Pintura Histórica. Aí teve como mestres mais marcantes Tadeu Maria de Almeida Furtado, em Desenho Histórico, e João António Correia, em Pintura Histórica. Os seus ensinamentos foram bem aproveitados pelo aluno, que se manifestou sempre um exímio desenhador. Colega de curso de Silva Porto, com ele continua¬ria, entre 1873 e 1879, como pensionista do Estado no estrangeiro, Marques de Oliveira na classe de Pintura Histórica, Silva Porto na de Pintura de Paisagem. Partiu para Paris no final de 1873 e em 1874 inscreveu-se na Escola Nacional de Belas Artes de Paris. Aluno de Cabanel e de Yvon, obteve boas posições em vários concursos em que participou na Escola, ganhando duas medalhas de 3ª classe e uma de 2ª. Em 1876, sempre na companhia de Silva Porto, fez visitas de estudo à Bélgica, Holanda e Inglaterra, regressando novamente a Paris. No dia 31 de Dezembro desse ano, partiram para Itália, fixando-se em Roma, mas aproveitando para passar por Como, Veneza, Nápoles e Capri. Desta estadia resultaram cópias de obras famosas e a sua primeira composi¬ção original O Filho Pródigo. Novamente em Paris a partir de meados de 1878, pintou a sua última grande composição como pensionista, Céfalo e Prócris, regressando em 1879 a Portugal. O seu pensionato no estrangeiro, se lhe trouxe ao nível escolar o aperfeiçoa¬mento dos conhecimentos técnicos, no seguimento do ensino académico portuense, permitiu-lhe, no entanto, o contacto com movimentos não ofici¬ais, como o naturalismo de Barbizon e mesmo com o impressionismo, cuja lição, se não foi por ele totalmente absorvida, alguma influência teria na sua obra. Ligado à pintura histórica por dever de pensionato e, mais tarde, de docên¬cia, Marques de Oliveira manifestou sempre uma grande sensibilidade pela natureza e pelos estudos de paisagem, que tentou fixar em pequenas impres¬sões. De salientar desta época o estudo datado de 1876, que retrata Silva Porto a pintar e que tem a inscrição Premier étude en plein jour. De todos os artistas com cuja obra tomou contacto, foi sem dúvida Corot o que mais marcou o espírito de Marques de Oliveira, como ele próprio reco¬nhecia e se pode verificar em algumas das suas paisagens, sobretudo na atmosfera de que estão impregnadas e no tratamento da luz. Outro género que cultivou foi o retrato, de que nos deu bons exemplos, como a Napolitana que pintou durante a permanência em Itália, e o esboço de retrato de Silva Porto pintado em 1876 e, mais tarde, o de Teixeira Gomes. Foi ainda com retratos que concorreu aos Salons de 1876 e 1878, os únicos em que participou. Marques de Oliveira apresentou sempre obras nas Exposições Trienais da Academia Portuense de Belas Artes, enquanto aluno, na 9ª (1886) e na 10ª (1869) e, enquanto pensionis¬ta, com as suas remessas obrigatórias, nas 11ª (1874), 12ª (1878) e 13ª (1881). Estes últimos trabalhos, juntamente com os enviados por Silva Porto, viriam a ter grande influência nos novos pintores que ainda frequentavam a Academia, como Henrique Pousão, ou Sousa Pinto, entre outros, que assim tomavam contacto com as inovações por eles trazidas. No caso de Marques de Oliveira, foram sobretudo as obras O Filho Pródigo "cujo torso sombreado constituiu inovação de colorido em Portugal" (José Augusto França) e Céfalo e Prócris, composição de tema mitológico e obra académica obrigatória de final de curso. De regresso a Portugal, Marques de Oliveira foi nomeado Académico de Mérito da Academia Portuense de Belas Artes em 1879 e em 1881 substituiu interinamente Tadeu Furtado, na cadeira de Desenho Histórico, para a qual foi nomeado oficial¬mente em 20 de Setembro de 1882. Em 1895, foi transferido para a cadeira de Pintura Histórica, em substituição de João António Correia e nela se manteve até 1926. Foi ainda durante algum tempo Director da mesma Academia. A sua actividade como professor foi notável, levando os alunos ao contacto directo com a natureza, mas insistindo sempre na qualidade do desenho como base de qualquer obra. À semelhança de Silva Porto, foi um dos prin¬cipais elementos na introdução do naturalismo em Portugal, contribuindo para a sua difusão através do seu mestrado e exemplo, pois apesar de estar por obrigação ligado à pintura histórica "foi o que menos fez em vida", segundo as suas próprias palavras. Marques de Oliveira deixou-nos uma vasta obra de pintura de paisagem, representando sobretudo o Norte do país, pois a sua predilecção ia para o mar (Póvoa do Varzim, Matosinhos, Aguda) e para a região minhota. A sua obra revela-se mais livre e mais inovadora nos estudos e impressões, do que nas peças acabadas, onde um excesso de perfeccionismo e de exigência consigo próprio acabava por prejudicar o resultado final. Marques de Oliveira pintou também cenas de interior, como aquela intitulada Entre o almoço e o jantar (ou Costureiras trabalhando), onde o contraste entre o interior e o exte¬rior e o tratamento da luz são notáveis e inovadores. A obra de Marques de Oliveira apresenta ainda outras facetas: dedicou-se também à pintura decorativa, de que é exemplo o gabinete da presidência da Bolsa do Porto, à pintura religiosa, pintando os painéis da Sagrada Família e do Coração de Jesus, respectivamente para as igrejas dos Congregados e dos Grilos desta cidade, e à ilustração de revistas e livros. Participou também activamente nos movimentos de renovação artística pro¬tagonizados por artistas e homens de cultura do seu tempo, de que é justo salientar Soares dos Reis e Joaquim de Vasconcelos. Com eles colaborou na fundação do Centro Artístico Portuense em 1880 e do seu órgão A Arte Portuguesa, que se manteve em actividade até 1883 e em cujas exposições (1881 e 1882) participou como artista e como organizador. Mais tarde, organizou, juntamente com António José da Costa, Júlio Costa e Marques Guimarães, as Exposições d’Arte, que tiveram lugar no Ateneu Comercial do Porto, entre 1887 e 1895, anualmente. Para além destes certames, esteve presente em numerosas exposições, quer no Porto, quer em Lisboa e, em menor número, no estrangeiro, onde, além dos Salons já referidos, apenas concorreu em vida à Exposição de Madrid de 1881. Em Lisboa, participou nas 3 últimas exposições da Sociedade Promotora de Belas Artes (1880, 1884 e 1887), ganhando nas duas primeiras, respectivamente, medalhas de 3ª e 2ª classe; nas do Grémio Artístico de 1891 a 1894, 1896 e 1898, recebendo na de 1892 uma medalha de 3ª classe; e na 1ª Exposição da Sociedade Nacional de Belas Artes, em 1901. No Porto, participou em várias exposições organizadas pelo Instituto Portuense de Estudos e Conferências e pela Sociedade de Belas Artes do Porto e em exposições colectivas variadas, de que são exemplo a da Fotografia União, em 1908, ou o Grande Certamen d'Arte, organizado pela Junta Patriótica do Norte em 1917. Marques de Oliveira morreu em 1927 e em 1929 foi-lhe prestada homena¬gem no Porto com a inauguração de um monumento em sua honra, no Jardim de S. Lázaro, e uma exposição de Quadros do Grande Mestre Marques de Oliveira, no Ateneu Comercial do Porto. Em 1947 foi alvo duma Homenagem de Discípulos e Amigos, com uma exposição de vários artistas no Salão Silva Porto. A obra de Marques de Oliveira encontra-se espalhada em pequenos núcleos, quer em Museus, quer sobretudo nas mãos de particulares, e o seu estudo de conjunto ainda aguarda vez, tornando se urgente e necessário para a boa compreensão deste artista e da sua época, para a qual deu um contributo tão valioso.
 
     
     
   
     
     
     
 
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