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FICHA DE ENTIDADE
Museu:
Denominação:
Silva Porto, António Carvalho de
Tipo:
Autor
Nascimento:
Porto, 11/11/1850
Óbito:
Lisboa, 01/06/1893
Biografia:
António Carvalho de Silva Porto nasce no Porto a 11 de Novembro de 1850 e morre em Lisboa a 1 de Junho de 1893. Em 1865, tendo transitado da Escola Industrial, inicia os seus estudos na Academia Portuense de Belas Artes que frequenta como aluno distinto. Matriculado em Arquitectura Civil, Escultura e Pintura Histórica, conclui os dois primeiros cursos respectivamente com 20 e 18 valores e obtém a média de 18 valores no 3° ano de Pintura. Foram seus professores Thadeu de Almeida Furtado e João António Correia. Abre em 1873 o concurso para o pensionato em Paris e Silva Porto, junta¬mente com Artur Loureiro, inscreve-se para prestar provas na categoria de Pintura de Paisagem (especialidade inexistente na Academia do Porto), enquanto Marques de Oliveira concorre em Pintura Histórica. Artur Loureiro desiste e são os outros dois concorrentes que irão desta vez beneficiar de uma formação feita no estrangeiro, vindo a partir juntos para França em Outubro desse mesmo ano. Em Paris Silva Porto frequentou, como impunha a regra, a Escola Nacional e Especial de Belas Artes onde foi aluno de Yvon e Cabanel e em paisagem de Beauverie e Groseillez. A conselho deste professor, terá copiado quadros no Louvre e depois terá ido pintar directamente para a natureza, o que o levaria a deslocar-se com fre¬quência a Barbizon e a Auvers-sur-Oise, onde conviveu com outros pintores, principalmente com Charles Daubigny e seu filho Karl. É nestas saídas que Silva Porto toma contacto com o movimento naturalista de Barbizon que no seu regresso importará para Portugal. Comparando os envios obrigatórios de França para a Academia Portuense de Belas Artes com as obras reali¬zadas pouco tempo antes, são evidentes os progressos de Silva Porto. Como exercício Silva Porto copia Charles Daubigny e é notória a influência da obra deste artista em duas pinturas que realiza representando As margens do Oise, em Auvers (Seine-et-Oise), (78 Pin e 112 Pin MNSR), ambas remetidas à Academia Portuense de Belas Artes como provas de pensionato, expostas na 12ª Exposição Trienal em 1878 e uma delas (112 Pin MNSR) aceite no Salon de Paris de 1876. Pinturas posteriores de Silva Porto, mas igualmente do período francês sugerem-nos já não tanto a influência de Charles Daubigny, de que se libertará, mas mais a de seu filho Karl e de outros pintores cuja obra teve oportunidade de conhecer e não lhe ficaram indiferentes como Corot, Millet e Courbet. A aprendizagem de Silva Porto será completada, segundo a norma, com uma estadia em Itália onde permanece entre 1877 e 78, passando por Roma, Florença, Veneza, Nápoles e Capri, como testemunham as pinturas que reali¬zou nestes locais. Voltando a França em 1878 para acabar a sua formação artística, Silva Porto executou, como prova de estudo que remeteu à Academia Portuense de Belas Artes, a paisagem em grande formato intitulada Campo de Trigo; Seara - arredores de Paris (102 Pin MNSR). O período italiano influenciou a paleta de Silva Porto, nesta obra e na Cancela Vermelha (4 Pin CMP (DHL) / MNSR) e trará também a escolha de temas novos: uma Marinha; Praia de Capri (178 Pin MNSR), obra remetida à Academia Portuense de Belas Artes como prova de pensionato no ano de 1877 e apresentada na 12ª Exposição Trienal em 1878; belos retratos de raparigas de Capri (13 Pin e 16 Pin CMP (DHL) / MNSR); e pinturas de géne¬ro como a Tigela partida (116 Pin MNSR) apresentada na Exposição Universal de Paris em 1888; a Pequena fiandeira romana (Museu do Chiado) obra com a qual o pintor vol¬tou a estar representado no Salon, desta vez em 1888. Em 1878 Silva Porto está de novo em Paris e antes de regressar a Portugal realiza uma viagem pela Bélgica, Holanda, Inglaterra e Espanha, empenhado em completar a sua formação artística. Em Abril de 1879 já se encontra no Porto e é nomeado Académico de Mérito da Academia Portuense de Belas Artes. Neste mesmo ano é convidado pelo Vice-Inspector da Academia de Belas Artes de Lisboa, Delfim Guedes (grande admirador da obra de Silva Porto que conhecia bem através das remessas de pensionista no estrangeiro), para reger nessa Academia a cadeira de Pintura de Paisagem vaga pela morte de Tomás d’ Anunciação, vindo a ocupar interinamente este cargo até 1883, data em que obterá uma nomeação definitiva. Deste modo a acção de Silva Porto exercer-se-á sobretudo em Lisboa onde logo à chegada a sua presença será notada, interessando vivamente a crítica do seu tempo, tendo-lhe Ramalho Ortigão tecido os mais esperançosos elogios. Na Academia saía com os alunos para o campo a pintar, despertando neles o gosto pela observação directa da natureza, prática da qual ele próprio dava o melhor exemplo e logo foi considerado chefe da nova “escola de ar livre”, que durante longo tempo teria os seus seguidores. Frequentando habitualmente nas horas vagas a cervejaria Leão d’Ouro, à sua volta se juntava um grupo de artistas e escritores que ficou conhecido pela designação de Grupo do Leão. Deste grupo, que ficaria imortalizado no quadro de Columbano com o mesmo título e no meio do qual Silva Porto era considerado o chefe, faziam parte os pintores da “geração naturalista de Lisboa”, José Malhoa, António Ramalho, João Vaz, Columbano, Moura Girão, Rafael Bordalo Pinheiro, Ribeiro Cristino, Rodrigues Vieira e Cipriano Martins. Proporcionava-se deste modo o convívio entre artistas que tinham em comum o desejo de renovar os conceitos estéticos dominantes no panorama artístico português e que se propunham promover anualmente uma Exposição de Quadros Modernos. Estas exposições, organizadas “à margem” das da Sociedade Promotora de Belas Artes, decorreram regular¬mente de 1881 a 1888 e foram cumprindo os seus objectivos: proporcionaram aos artistas mais novos um meio de divulgar os seus trabalhos, criaram simul¬taneamente um novo mercado de arte e despertaram a opinião pública ador¬mecida pela rotina da vida artística de então. Em 1880 Silva Porto apresenta-se, com declarado sucesso, na 12ª Exposição da Sociedade Promotora de Belas Artes, onde expõe obras remetidas de Paris como prova de estudo e perten¬centes à Academia Portuense de Belas Artes (hoje na posse do Museu Nacional de Soares dos Reis) e entre outras a Charneca de Belas (Museu do Chiado), uma obra importante que lhe fez ganhar a Medalha de Ouro e que o Rei D. Fernando adquiriu. Só no ano de 1881 Silva Porto aparece em quatro Exposições a Exposicion General de Bellas Artes, comemorativa do Centenário de Calderon, em Madrid, onde com o quadro A Seara obtém o Hábito da Ordem de Carlos III, a 13ª Exposição Trienal da Academia Portuense de Belas Artes, a 1ª Exposição do Centro Artístico Portuense e a 1ª Exposição de Quadros Modernos, promovida pelo Grupo do Leão. A estas Exposições de Quadros Modernos concorrerá anualmente até 1888 e quan¬do o Grupo do Leão se extinguiu para dar lugar ao Grémio Artístico, do qual aliás foi presidente, apresentará também aí as suas obras. Assim, aparece na 1ª Exposição, em 1891, com 15 óleos, na 2ª em 1892 com 12 e obtém uma primeira medalha com o quadro Barca de passagem em Serreleis. Na 3ª em 1893, concorre com 9 óleos, entre eles Conduzindo o Rebanho e as Ceifeiras (respectivamente 1 Pin e 5 Pin CMP (DHL) / MNSR). Em 1888 Silva Porto expõe a Salmeja (Museu do Chiado) e a Volta do Mercado (MC) na Exposição Industrial de Lisboa e é premiado com a Medalha de Ouro. Vivendo e trabalhando em Lisboa e aí que S. Porto regularmente expõe os seus trabalhos. Com o Porto mantém contacto através dos seus condiscípulos, especialmente de Marques de Oliveira com quem se corresponde e que o con¬vida insistentemente para apresentar obras nas Exposições de Arte, onde o vemos representado nos anos de 1887,1889,1890,1892 e 1893. Regressado de Paris, a vida de S. Porto resumir-se-á a 14 anos de trabalho, entre as aulas da Academia, a dedicação à pintura e a presença em exposições. Percorre Portugal de Norte a Sul à procura dos temas que inspiram as suas telas. Pinta muitas paisagens, colhidas sobretudo nos meios rurais. Interessa-se pelos temas relacionados com os trabalhos do campo, pretexto para a presença da figura humana, e dá grande relevo à representação dos animais, que por si só constituem tema de algumas telas. Pinta ainda paisagens urbanas, fluviais e marinhas. O retrato não ocupou lugar de relevo nos seus interesses, limitan¬do-se quase só às representações familiares. No contexto português da época pode considerar-se que Silva Porto foi um pintor inovador e que fez escola. Pintar a natureza numa observação directa, sem preconceitos e tal como ele próprio a sentia não tinha sido praticado até então, mas Silva Porto conseguiu atingir este objectivo pelo menos em algumas das suas obras e pretendeu transmiti-lo aos seus discípulos. O afastamento definitivo dos meios artísticos que frequentara em Paris e Itália faria diluir os efeitos inovadores que essa estadia tinha produzido tempos antes. Por outro lado a influência da critica que quase sempre lhe foi tão favorável, mas que o pressionava demasiado, e a necessidade que teria de vender os seus quadros, terão contribuído para que a sua pintura perdesse a “poética” inicial. Após a morte de S. Porto realizou-se, em Dezembro de 1893, um leilão em que foram vendidas todas as obras que se encontravam no atelier ou na posse da viúva do autor. O Grémio Artístico adquiriu praticamente todos os desenhos (hoje pertencentes à Sociedade Nacional de Belas Artes) e as pinturas foram parar às mãos de diversos coleccionadores sendo algumas hoje, por compra ou doação, propriedade de vários museus, como é o caso do Museu do Chiado, Museu Grão Vasco, Museu José Malhoa, Casa Museu Anastácio Gonçalves, Casa Museu dos Patudos, Casa Museu Fernando de Castro e Museu Abade de Baçal. Na colecção de pintura do Museu Nacional de Soares dos Reis existem obras provenientes das provas de pensionista no estrangeiro, outras de legados, bem como um núcleo deposita¬do pela Câmara Municipal do Porto constituído por uma doação feita ao Museu Municipal e que per¬tenceu ao coleccionador portuense Honório de Lima.
 
     
     
   
     
     
     
 
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