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FICHA DE ENTIDADE
Museu:
Denominação:
Ferreira, António
Tipo:
Autor
Nascimento:
Século XVIII (?)
Biografia:
Deste importante escultor de presépios pouco se conhece, sendo todos os testemunhos que a ele se referem coligidos através de testemunhos indirectos. É provável que se trate do António Ferreira escultor e morador na Rua grande de idade que disse ser de quarenta e tres annos pouco mais ou menos (c.1759-act.1702), de acordo com uma Devassa realizada em Lisboa em 1702. Também partindo de referências encontradas no Livro da Irmandade de São Lucas, surge um António Ferreira inscrito em 1692, tendo-lhe sido acrescentada a referência Falecido, após 1712. De acordo com Cyrillo Volkmar Machado (1823)”(...) seu pai Dionisio Ferreira também era prático na plástica (...). Talvez seja este artista aquele a que se refere o Padre Manuel do Portal descrevendo o presépio das Necessidades – que pode ser admirado no Museu Nacional de Arte Antiga -, em 1756: ”(...) No meio deste corredor tornando ao Oratório de S.Thomaz está uma cruzeta, o lado, que olha para a cerca, termina em uma janela Conventual. O lado que olha o pátio termina em uma grande portada, que dá serventia para a livraria. Antes de entrar na casa da livraria na Cruzeta da parte direita está uma porta que dá serventia para uma casa tem esta duas janelas de peitoril e encostado a um lado está um presépio. O torrão em que está é muito grande obra de muita perfeição basta dizer, que o fez o Clérigo de Setúbal nesta matéria insigne, que abaixo de um curioso chamado Dionisio ninguém o excede, parece-me que o torrão custou cem, moedas e a caixa em que está metido, que é toda em entalhado, o qual ainda não está dourado custaria outro tanto. (...)”. As primeiras atribuições de obras a este escultor devem-se a D. José da Cunha de Azevedo Coutinho que, na Mnemosine Lusitana (1816), refere “(...) São do famoso Antonio Ferreira ... Os singulares presépios da Cartuxa e da Igreja da Madre de Deus... Na Ermida do Senhor da Serra em Belas está uma glória de serafins que circundão a imagem de Cristo, e dizem ser dele (...)”. O já mencionado Cyrilo Wolkmar Machado acrescenta, na sua Colecção de memórias relativas às vidas dos pintores, e escultores, Architectos, e gravadores portugueses (1823), que entre as suas obras contam-se (...) os presepios da Cartuxa, da Madre de Deus, da Conceição de Jesus, e outras (...)”. Relativamente à menção ao presépio da Conceição de Jesus ou da Estrela, não há qualquer referência à participação de António Ferreira em obras de Joaquim Machado de Castro, devendo os mesmos nunca se ter chegado a conhecer, ainda que Francisco de Assis Rodrigues, no seu elogio a este último, publicado no Diccionario Technico e Historico de pintura, esculptura, Architectura e gravura (1875), afirma: “(...) Poderia dizer-se d’elle com muito mais rasão o mesmo que elle dizia de seu pae [Manuel Machado Teixeira], que era dotado de habilidade encyclopédica (1). (1) Foi discípulo de António Ferreira.(...)”. Joaquim Machado de Castro refere-se-lhe, no seu Diccionario arrazoado, ou filosofico d’alguns termos technicos, pertencentes à bella arte da Escultura, e seus utensílios afirmando que “(..) O género Pastoril é na Escultura o mesmo que o das Paisagens na Pintura. Ele tem por fim representar com toda a verdade os Pastores, os gados, as arvores, e todos os objectos campestres. O nosso Escultor António Ferrª teve uma propensão decidida, e um merecimento distinto no género Pastoril. O Presépio executado por este Artista, que se acha no Convento da Cartuxa, é uma peça de grande valor, e estima; assim pela composição e verdade dos objectos, como pela graça, e toque incomparável, com que são executados. (...)”. Deve-se, porém, a Liberato Telles, na sua descrição d’O Mosteiro e a Igreja da Madre de Deus (1899), um maior número de informações “(...) António Ferreira, que floresceu no século passado e que era conhecido pelo Ferreirinha de Chellas, por ser n’esta localidade que habitou. Este distincto artista produziu muitos trabalhos de importancia e a elle se referem os chronistas, citando como de muito valor os que produziu para os presepes da Cartuxa, Embrexados e Madre de Deus. Pela mesma época floresceu tambem outro esculptor de nome José d’Almeida, mais conhecido pelo Romano, por ter estudado em Roma, e com quem o Ferreirinha mantinha boas relações de amisade e para quem conseguiu a execução de uma imagem da Senhora Mãe dos Homens, trabalho ajustado em Outubro de 1742 com frei João de Nossa Senhora, vulgo o poeta de Xabregas, pela quantia de setenta e duas moedas de ouro, devendo a imagem ter oito palmos de altura, na attitude de deitar a benção, o menino Jesus no braço esquerdo e dous anjos na peanha, obra esta cuja execução foi considerada muito perfeita. (...)”. A António Ferreira têm vindo a ser atribuídos diversos conjuntos escultóricos, mas onde são patentes traços de diferentes artistas, sendo possível definir, eventualmente, três perfis. Estas peças podem ser admiradas nas reservas do Museu Nacional de Arte Antiga e no Museu de Aveiro, para além de uma famosa Cavalgada que integra a colecção do Museu Nacional de Machado de Castro. No acervo da Casa dos Patudos, em Alpiarça, encontra-se um Anjo músico e um grupo de Cristo socorrido por anjos, que têm vindo a ser associados a este artista. No Museo Arqueologico Nacional de Madrid encontram-se, atribuídas a António Ferreira, sete figuras e grupos de pastores, assim como no Staatliche Museen de Berlim pode ser admirado um conjunto de Anjos músicos. Das principais obras a que o seu nome surge associado, o presépio da Cartuxa de Laveiras desapareceu, o mesmo tendo ocorrido ao conjunto do altar da ermida do Senhor da Serra, em Belas. Deste subsistem ainda as imagens de Nossa Senhora e a figura mutilada de Maria Madalena, mas os anjos atribuídos a António Ferreira ter-se-ão perdido. Um dos raros testemunhos do conjunto pode ser observado no Brasonário de Portugal, onde está publicada uma gravura do altar. Relativamente à sua obra mais emblemática, o excepcional presépio da Madre de Deus, a referência mais antiga que se lhe conhece surge na Crónica Seráfica (1754) de Frei Jerónimo de Belém, que menciona “(…) deveu-se a generosidade do rei O Antecoro, na clausura, que é uma casa de boa arquitectura, … uma das mais primorosas e asseadas que se encontram no Mosteiro ... Nela se admira um singular Presépio com o Nascimento do Menino Deus, todo com figuras de barro; mas tão próprias que excedem às de Escultura (…)”. Parte do conjunto integra hoje o percurso do Museu Nacional do Azulejo, tendo sido objecto de uma remontagem recente.
 
     
     
   
     
     
     
 
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