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ENTITY DETAILS
Museum:
Name:
Chanterene, Nicolau
Type:
Autor
Birth:
Século XV (?)
Biography:
Nicolau Chanterene, “mestre Francez” (Leão 1610), surge pela primeira vez documentado em Portugal em 1517, encarregado da empreitada escultórica do portal principal do mosteiro de Santa Maria de Belém. Os apóstolos, os santos protectores de Lisboa e da dinastia de Avis, os anjos e as cenas sagradas da Anunciação, Natividade e Adoração dos Magos inscritas em nichos perspectivados pré-anunciam escultoricamente o Renascimento português (Moreira 1987) e constituem a primeira imagem dos doadores realizada para efeitos celebratórios triunfais, longe das máscaras funerárias régias ou nobres dos monumentos tumulares anteriores. Do mesmo modo que na arquitectura, o estaleiro de Belém, absorvendo artistas biscainhos, franceses e nórdicos, foi, na segunda década do século XVI, o centro mais importante da escultura portuguesa, daí irradiando influência para obras na Estremadura, no Sul e no Norte do país. Coimbra acolheu alguns destes artistas em movimento e as primeiras obras de estatuária em pedra produzidas durante a renovação do Mosteiro de Santa Cruz estão na estreita dependência da arte do mosteiro de Belém. Partindo também para Coimbra, Nicolau Chanterene, associado a Diogo de Castilho, mestre de pedraria, trabalha nas imagens dos Apóstolos e dos Doutores da Igreja do portal crúzio, no início da sua actividade conimbricense, entre 1518 e os primeiros anos da década de 1520 (Viterbo 1914; Craveiro 2002). Na produção coimbrã da obra de Nicolau Chanterene, em Santa Cruz registam-se as obras do portal, do púlpito (1521) e os retábulos em baixo-relevo do claustro do Silêncio (c. 1522); o retábulo da igreja monástica de São Marcos (1523-24); o portal do antecoro do mosteiro de Santa Maria de Celas (1526); o retábulo de São Pedro da capela funerária de D. Jorge de Almeida, na Sé Velha (c. 1526); e a correcção das estátuas jacentes dos Túmulos Reais de D. Afonso Henriques e D. Sancho I (num hipotético regresso, já de 1535). De Santiago de Compostela - onde foi documentado em 1511 a trabalhar nas imagens da capela do Hospital Real (Azcárate 1957 e 1965) - até Coimbra, Chanterene consolida um trabalho de imaginário já dentro do universo da figuração renascentista, em que o homem é visto como o eixo fundamental da representação. No Púlpito de Santa Cruz, Rafael Moreira atribuiu-lhe também primeiro ensaio na tridimensionalidade espacial (Moreira 1991). A capacidade que Nicolau Chanterene demonstrou para criar micro-arquitecturas traduziu-se na renovação das estruturas dos retábulos e nos elementos arquitectónicos neles incluídos (colunas-balaústres, pilastras, urnas, nichos vazados), logo inovadora no Retábulo de São Marcos onde um arco de triunfo à romana com a primeira abóbada de berço com caixotões da arte portuguesa de Quinhentos substitui o sistema tradicional de painéis adjuntivos da prática gótica, ou afirmativamente vitruviana no desenho da Porta Especiosa da Sé Velha de Coimbra, se tivermos em conta a mais recente e sedutora proposta de atribuição para a autoria desta obra apresentada por Lurdes Craveiro, em 2002. O virtuosismo arquitectónico tem paralelo na finura e na delicadeza com que esculpiu os seus baixos-relevos cujos motivos foi buscar à gravura contemporânea, quer nos painéis figurativos, quer no ornato. A fortuna artística plural de Nicolau Chanterene – reconhecida através de uma longa série de concessão de tenças (1519, 1523, 1526, 1534, 1540, 1541, 1551) e de cargos (imaginário régio, arauto) – reconduzi-lo-á aos círculos da encomenda régia a Sul logo em 1529, quando inicia os trabalhos do Retábulo da Pena (até 1532), no mosteiro jerónimo da serra de Sintra, “obra maior de toda a sua carreira portuguesa” (Dias 1983). Elegante como se de Renascimento italiano se tratasse na subtil combinação lumínica do material alabastrino, que foi buscar a Saragoça em 1527, e da “pedra preta finissima que parece ebano” (Leão 1610), o autor afirma-se como antigo estatuário, nas imagens como insigne escultor e, na arquitectura, fiel ao título de “arquitector”, no sentido de construtor de retábulos, numa feliz amostra de experiências renascentistas sucessivamente amadurecidas e do alargamento de fontes de inspiração que caracterizam o seu percurso artístico. O diálogo que Chanterene entabulou permanentemente entre escultura e arquitectura, exaustivo no retábulo da Pena, parece ter esgotado o escultor para as obras em mármore da sua fase eborense, que se revelam plenas de força arquitectónica. Entre estas contam-se o túmulo de D. Álvaro da Costa (1535), as pilastras do refeitório do convento do Paraíso (1533), no Museu de Évora (respectivamente Inv. ME 1769, ME 1771/1-3); o desaparecido templete do fecho do aqueduto da Água da Prata (c. 1535-1537), o túmulo de D. Francisco de Melo na igreja do convento dos Lóios (c. 1536), o portal do convento de São Domingos - hoje colocado na entrada do cemitério da cidade (1537)-, as janelas da capela-mor da igreja da Graça (1537), os “Meninos da Graça” da frontaria da igreja (c. 1540) e o cenotáfio de D. Afonso de Portugal (c. 1540-1542, no Museu de Évora, Inv. ME 1790). Em Évora, onde conviveu com a corte de D. João III e com intelectuais humanistas, terá encerrado a sua carreira, pois a última referência documental que dele se conhece é de 1551, em documento onde pede a transferência do seu cargo de arauto e da tença anual de dez moios de trigo para quem casasse com a sua filha Hermíona.
 
     
     
   
     
     
     
 
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