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FICHA DE ENTIDADE
Museu:
Denominação:
Mestre Pero
Tipo:
Autor
Nascimento:
Século XIV (?)
Biografia:
Na história da escultura portuguesa, Mestre Pero, de provável origem aragonesa, tem sido distinguido como o escultor cuja produção se individualiza com personalidade artística própria, entre o segundo início e o fim do terceiro quartel do século XIV. Tal facto justifica-se sobretudo porque a sua oficina foi identificada documentalmente o que, por análise formal comparativa, permitiu outorgar-lhe outras obras distribuídas pela quase totalidade da geografia do território nacional, com a particularidade de ter esculpido quase todas elas em calcário oolítico extraído das pedreiras da região de Ançã. Considera-se que a primeira das suas obras tenha sido o túmulo de D. Isabel, princesa de Aragão e mulher de D. Dinis, executado para o Mosteiro de Santa Clara de Coimbra, plausivelmente em execução c. 1326 e já terminado em 1330. Apesar da presumível ligação ao conjunto de encomendas empreendidas sob a égide desta Rainha, só volta a surgir documentado anos mais tarde, em 1334, referido como o “mestre das imagens” do túmulo do Arcebispo de Braga D. Gonçalo Pereira (m. 1348), que executou em parceria com mestre Telo Garcia, este último identificado como morador em Lisboa, conservado na Capela da Glória da Sé de Braga. Ainda em 29 de Janeiro de 1337, o pagamento do Túmulo de D. Vataça Lascaris de Ventimiglia, dama da corte da rainha Isabel, na Sé Velha de Coimbra, volta a mencioná-lo como mestre. Por comparação estilística com a obra destes túmulos documentados e a associação ao túmulo da rainha Isabel (hoje na igreja de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra), a fortuna escultórica de Mestre Pero tem sido sucessivamente enriquecida, estando-lhe atribuídos sepulcros, como o de Domingas Sabanchais e Domingues Joanes (capela dos Ferreiros, Oliveira do Hospital), a arca tumular de Rui do Casal (São João de Alporão, Santarém), o túmulo de João Gordo conservado na Sé do Porto, uma hipotética participação na obra do Apostolado da Sé de Évora (Dias 2003), e um conjunto de imagens devocionais, que denotam afinidades nos modos de tratamento das figurações. Segundo Reynaldo dos Santos e Vergílio Correia uma série de esculturas femininas lavradas na primeira metade do século XIV podem relacionar-se com o léxico formal dos túmulos de Coimbra e de Braga (Correia 1940; Santos 1948). Uma Virgem com o Menino que se conserva no Museu Nacional de Arte Antiga - Inv. 984 Esc, proveniente da Colecção de Ernesto Vilhena (Carvalho 1999, p. 72) – foi identificada como a cabeça de série ou modelo deste grupo de imagens que representam Santas de várias invocações ou a Virgem Maria e aproximada do grupo da Anunciação (Arcanjo São Miguel e Virgem Maria) da igreja de Santa Maria da Alcáçova de Montemor-o-Velho. As figuras apresentam um ritmo corporal de atitude levemente sinuosa, rostos ovais emoldurados por madeixas de cabelos alisados caídos sobre os ombros - mas formando um caracol muito característico sobre a orelha -, queixos pequenos, triangulares e salientes, olhos amendoados delineados à face, mãos com dedos cilíndricos e alongados. Véus curtos, muitas vezes presos nas coroas, túnicas que envolvem os pés em pregas requebradas, drapeados de volume generoso a criarem sombras profundas nas partes inferiores dos vestidos, jóias lobuladas a ornamentarem os decotes largos ou a cingirem os mantos, cintos a reproduzirem com preciosismo o trabalho do couro, retratam roupagens que seguem a moda da época trecentista. Na composição escultórica regista-se o contraposto denunciado pela postura das pernas sob os requebros das vestes: em quase todas as imagens ora o joelho direito se anuncia flectido para deixar a perna esquerda em tensão, ora os pés se apresentam um mais avançado do que outro ao recortarem-se das bases. Nestes moldes enquadra-se não só o busto da Virgem (Inv. 3995 E22), proveniente de Montemor-o-Velho, mas também a escultura de uma Santa Mártir (Inv. 647 E19) do MNMC, a Virgem proveniente de Podentes, igualmente do MNMC (Inv. 4069 E24), como outra Virgem com o Menino do MNAA (Inv. 1087 Esc) ou as Virgens da Expectação do MNAA (Inv. 1990 Esc), do Museu de Lamego (Inv. 129 e Inv. 130) e a do MNMC (Inv. 645 E20), todas elas de maior escala do que a imagem-modelo feminina associada pelos historiadores directamente à mão do mestre. A proporção alongada comum a estas esculturas femininas seria paralela ao domínio técnico que o mestre estava habituado a aplicar nas dimensões naturais dos jacentes tumulares. Outras características formais de imagens esculpidas nos túmulos documentados, nomeadamente dalgumas personagens masculinas, como a do chapéu de copa alta e pala da arca de D. Gonçalo Pereira, repetem-se em esculturas de vulto exentas, como acontece no São Tiago do chapeirão, proveniente da Colecção do Comandante Ernesto Vilhena conservado no MNAA (Inv. 992 Esc), ou a tão característica modelação dos cabelos masculinos em dois cachos enrolados compridos dispostos paralelamente ao rosto presente, por exemplo, no São Tiago do MNMC (Inv. 644 E 17). A origem e a formação de Mestre Pero; os motivos da sua vinda para Portugal; a ligação aos círculos de encomenda da corte dionisina e isabelina; a estrutura e organização da sua oficina; a permanente opção pelo calcário brando de Ançã que tem feito com que o seu nome surja à cabeça de uma "escola" de escultura trecentista em Coimbra dominando sobre outros centros de produção nacionais, assim como a distinção entre o que foi o seu trabalho de imaginário e o dos oficiais seus colaboradores, mantêm-se historiograficamente como questões em debate.
 
     
     
   
     
     
     
 
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