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FICHA DE ENTIDADE
Museu:
Denominação:
Ruão, João de
Tipo:
Autor
Nascimento:
Século XVI (?)
Biografia:
A actividade de João de Ruão em Portugal inicia-se no final da década de 1520, na igreja da Atalaia, senhorio dos Meneses de Tancos, e na Varziela. Desde o início da década de 1530 e até 1580 está estabelecido com oficina em Coimbra, onde casa com Isabel Pires (filha de Pêro Anes, mestre de carpintaria das obras reais, irmã de Marcos Pires, mestre de obras de Santa Cruz de Coimbra, e cunhada do pintor Cristóvão de Figueiredo), entrando assim para uma das mais importantes "famílias artísticas" do século de Quinhentos. A obra de João de Ruão, quer na imaginária, quer no ornato, tem uma evolução caracterizada pela historiografia em duas fases distintas: a primeira do “decénio de trinta e parte do de quarenta, mais fina; e a segunda mais expedita, em que é corrente a obra de oficina para a larga clientela popular, sempre incompreensiva, procurando e exigindo preços baixos, ao lado das obras cuidadas, dotadas agora, todavia, de maior austeridade, orientadas já pelo espírito de homem feito e a seguirem novas correntes” (Gonçalves s.d.). No primeiro período, as figuras dos seus santos patenteiam uma grácil humanidade – David, a Virgem e Isaías da fachada de Santa Cruz, imagens e medalhão da Virgem com o Menino da Porta Especiosa, a Virgem com o Menino de Celas e de Vale de Todos, Santo António dos Covões, Santa Maria Madalena da torre dos sinos de Santa Cruz (MNMC), Santa Inês (MNMC, inv. 803 E92), S. Marcos, do retábulo de São Marcos (igreja do Salvador de Coimbra) –,depois solidamente transformada numa gravidade influenciada pelos valores da estatuária clássica, patente sobretudo nas figuras masculinas (S. Paulo - MNMC, inv. 797 E85, evangelistas e apóstolos do Retábulo do Sacramento na Sé Velha de Coimbra, nos São Pedro, São Paulo e São Tiago do Retábulo da Capela do Tesoureiro, entre outras), e numa expressão de dramatismo contido (no Cristo crucificado de Santo António dos Olivais, no Cristo preso à coluna (MNMC, inv. 4083 E87), ou nas várias Deposições no Túmulo que executou (como a do MNMC, esculpida para o Mosteiro de Santa Cruz, inv. 4085 E109). No ornato, inicialmente de raiz florentina, de acordo com a sua formação nas oficinas do Vale do Loire e influenciada pela arte dos Giusti, deixa-se conquistar pela decoração maneirista flamenga. No Claustro da Manga de Santa Cruz de Coimbra (1533-1534), na Capela do Sacramento da Sé Velha de Coimbra (1566), no Retábulo da Sé da Guarda (c. 1553) e na Capela do Tesoureiro da igreja do convento de São Domingos de Coimbra (1558-1565), mestre João demonstra uma compreensão erudita do classicismo renascentista e a totalidade das potencialidades arquitectónicas dos próprios retábulos, envolvidos pela arquitectura, mas aqui também seus envolventes. Quando longe destas mestria e perfeição arquitectónicas, deve imputar-se a João de Ruão, pelo exercício em túmulos e retábulos, a responsabilidade pela difusão do gosto renascentista por toda a “Grande Coimbra” (Góis, Trofa do Vouga, Soure, Cantanhede, Botão, Verride, S. Silvestre, Tentúgal, Cantanhede, Águeda, Penela, Ansião, Aguim, Montemor-o-Velho...), chegando a uma área tão vasta quanto a Beira Interior (Pinhel, Retábulo da Misericórdia, 1537; Viseu, Retábulo dos Santos Brancos, 1567), Braga (Retábulo e Deposição no túmulo da capela dos Coimbras anexa à igreja de São João do Souto), Tomar (Retábulo da capela dos Vales, Santa Iria), ou Óbidos (estrutura do Túmulo de João de Noronha e Isabel de Sousa), nem todos necessariamente imputáveis à intervenção directa do artista na sua execução material. Documentam, contudo, a existência de uma arte ruanesca implantada por todo o território a Norte do Tejo que transformou o horizonte escultórico do Quinhentismo português, definitivamente consagrado à linguagem renascentista. Uma vida longa e uma oficina operosa a funcionar, muitas vezes, através do sistema de subempreitadas, contribuíram para lhe ser feita uma adjudicação generalizada desta produção escultórica. A documentação conservada permite, contudo, relativizar o protagonismo absoluto do mestre, embora não nos forneça dados suficientes quanto à organização da sua oficina, respigando-se as referências ao seu telheiro (junto da torre velha dos sinos de Santa Cruz, de 1530 até 1578), ao exercício de oficial (“pedreiro de macenaria” (1532); “emaginarjo”, “ymaginador”, “homrrado”, “louvado avaliador”, “arquitecto” (1566, 1567)), aos preços cobrados (1536, Cruz de Santo António dos Olivais, 1$400 reais; 1537, Virgem de Vale de Todos, 2$000 reais; 1542, Sacrário de Cantanhede, 5$000 reais; Retábulo de Pedrógão, 80$000 reais; Santo António de Covões, 2$000 reais), aos seus “criados” (Lucas Gonçalves, 1536; António Gomes, 1566) ou aos seus “companheiros” (Tomé Velho, 1576). A seu lado, devem nomear-se Jacques Locquin (m. 21 de Outubro de 1559), Diogo Mendes, Manuel Fernandes, António Cordeiro, Lucas Fernandes, António Fernandes, João Gonçalves, Jacques de Bruxelas, António Cardoso, Manuel João ou Diogo Jacques.
 
     
     
   
     
     
     
 
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