MatrizNet

 
Logo MatrizNet Contacts  separator  Help  separator  Links  separator  Site Map
 
Monday, August 08, 2022    INTRODUCTION    ORIENTED RESEARCH    ADVANCED RESEARCH    ONLINE EXHIBITIONS    INVENTORY GUIDELINES 

Animação Imagens

Get Adobe Flash player

 


 
     
     
 
ENTITY DETAILS
Museum:
Name:
Vespeira, Marcelino
Type:
Autor
Birth:
Alcochete, 09/09/1925
Death:
Lisboa, 21/02/2002
Biography:
Natural de Samouco, nasce em 1937. Instala-se em Lisboa para estudar na Escola de Artes Decorativas António Arroio, até 1942, ano em que se matricula no Curso de Arquitectura da Escola de Belas-Artes, que abandonará no primeiro ano. Dedica-se às artes gráficas e à decoração, trabalhando para o ETP (Estúdio Técnico de Publicidade). Nestes anos participa nas reuniões do Café Herminius, e frequenta as tertúlias da cidade, organizando com outros colegas da António Arroio uma exposição, em 1943, num quarto alugado. As inquietações políticas e as esperanças suscitadas pelo resultado da II Guerra Mundial conduzem-no, como a tantos outros jovens, a intervir politicamente através da produção plástica, com trabalhos enquadrados no Neo-realismo, recebendo as influências de Portinari e dos muralistas mexicanos. Em 1945 colaborou na página “Arte” do jornal portuense A Tarde, dirigida por Júlio Pomar, e, nos dois anos seguintes nas Exposições Gerais de Artes Plásticas. Já em 1947, afasta-se do Neo-realismo, apesar do seu protagonismo neste movimento, em conjunto com Júlio Pomar, e, aproxima-se do Surrealismo, tenho sido um dos fundadores do Grupo Surrealista de Lisboa, com o qual colaborou em todas as acções por este promovidas. O trabalho surrealista de Vespeira, iniciado em 1947, apresenta desde o início uma expressão muito pessoal que nos primeiros anos se enquadra numa figuração académica que procura o estranho, enquanto que em meados de 1949, em especial a partir de um verão nas ilhas Berlengas, abandona o desejo do figurativo para criar um imaginário próprio, de signos eróticos, onde o mundo marinho e vegetal se transformam pelo olhar do desejo, assumindo um valor abstractizante, num espaço indefinido, em que o automatismo e a experimentação matérica serão os principais responsáveis pelo resultado final do quadro. O biomorfismo e alguns elementos orgânicos recorrentes, como os chifres, aproximam os seus trabalhos da obra de Jorge Vieira, com quem partilha o mesmo entusiasmo erótico e alegre, entanto que as experiências com a matéria e o uso de alguns elementos como redes ou reservas remetem para o conhecimento de artistas internacionais do Surrealismo do pós-guerra, como Matta e Esteban Francés. Estes trabalhos, executados entre 1949 e 1952, são mostrados publicamente nas três exposições individuais, em simultâneo na Casa Jalco, em Janeiro de 1952 (Azevedo, Lemos, Vespeira). Esta exposição, que causou grande escândalo no meio artístico lisboeta, marca o final da sua produção surrealista, abandonada em favor da abstracção, que irá dominar o panorama artístico. Começa pela abstracção geométrica, e logo a seguir, envolve-se numa interpretação abstracta de ritmos musicais de danças negras e do jazz, chega, em finais de 50, ao que José-Augusto França denominou como “espaço elástico”, em pesquisas que se estendem ao longo dos anos 60. No fim desta década volta a um universo onírico, progressivamente mais influenciado na década de 70 e 80 pelo erotismo que marcara os trabalhos surrealistas que agora se organizam em composições esquemáticas, de domínio curvo e cores planas, não alheias ao seu trabalho como designer gráfico. Nesta área, e continuando o desenho de cartazes, logotipos e montras iniciado no ETP, destaca-se o trabalho como decorador no III Ciclo da Feira das Indústrias Portuguesas (1951) e na Feira das Indústrias de Moçambique (1956), as capas de livros para a editora Ulisseia (1957-1960), o seu papel como director gráfico da revista Colóquio (1962-1966), o logotipo da Galeria 111 (1965) e os cartazes que a partir desta data executou (FCG, MFA). Bolseiro da FCG (1958-1959), membro do Conselho Técnico da SNBA (1964-1965), distinguiu-se nas acções que se seguiram ao 25 de Abril, integrando a Comissão Central de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA. Pintor de grande mestria, Vespeira representa o melhor momento e mais pessoal da pintura surrealista portuguesa, movimento dentro do qual nos deixou também desenhos, uma participação no grande cadavre-exquis e em outros dois realizados com Fernando Azevedo, objectos, dos quais só se conserva O menino imperativo, e poemas, alguns deles (Unhas e Manequim visado) publicados na revista Tricórnio, sendo de lamentar a perda dos seus collages e ocultações.
 
     
     
   
     
     
     
 
Secretário Geral da Cultura Direção-Geral do Património Cultural Terms & Conditions  separator  Credits