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FICHA DE CONJUNTO
Museu:
Museu da Música
N.º Conjunto:
Núcleo 3
Tipo:
Conjunto
Denominação:
Núcleo 3: República e Museu em Dificuldades
Descrição:
Do período de 1914 a 1919
Origem / Historial:
O clima político da República complica-se com o constante derrube dos governos, sendo a situação económica do país grave. Naturalmente, a criação de um museu de instrumentos ao abrigo do Estado não consta nas prioridades da agenda política. Entre 1913 e 1915, Lambertini dedica-se a constituir um núcleo particular de instrumentos, comprando e aceitando depósitos e doações. Esta recolha fica conhecida como "Primeiro Núcleo de um Museu Instrumental em Lisboa" através do catálogo publicado. Em 1915 é decretada a criação do Museu Nacional do Conservatório, com uma secção de música e outra de teatro, contudo não passa de intenção legislativa. As três exigências feitas por Lambertini para doar a sua recolha particular ao Conservatório e aceitar o cargo de conservador do Museu Instrumental são negadas: 1ª) aquisição da colecção Keil; 2ª) transferência para o Conservatório dos instrumentos da primeira recolha constituída pelos instrumentos do Estado que ficaram no Palácio das Necessidades; 3ª) dotação do museu com 250 escudos anuais para despesas de conservação das colecções e novas aquisições. Perante a impossibilidade de satisfazer qualquer das três exigências, o projecto de Lambertini segue pela via particular. Inicialmente sozinho, Lambertini acaba por conseguir obter o apoio de António Augusto Carvalho Monteiro. Os dois filantropos chamam a si a responsabilidade de dotar o país de um museu instrumental. Monteiro assume as despesas com os instrumentos, adquire a colecção Keil, a recolha particular de Lambertini feita entre 1913 e 1915, e compromete-se a comprar alguma peça interessante que vá surgindo. Lambertini assume a organização do museu, os custos com a conservação dos instrumentos e a aquisição dos livros, estampas e outro material iconográfico em faltar para alargar a sua biblioteca da especialidade, complemento natural do museu, na sua opinião. Carvalho Monteiro faculta ainda a sede para o museu, na Rua do Alecrim. Apesar do conturbado clima político, o Museu Instrumental de Lisboa, designação que teve como museu particular, chega a reunir um acervo de mais de 500 peças. O plano museológico que Lambertini concebe para o seu museu é moderno: núcleos instrumentais organizados por famílias, segundo a classificação da época; uma biblioteca da especialidade com mais de 2000 números; uma secção iconográfica; uma secção documental; e materiais para formar uma oficina de conservação e restauro, em tudo muito próximo do modelo que subsistiu até aos nossos dias. APT in catálogo da exposição, pág. 193 O Museu Instrumental de Lisboa Fundação Particular O acervo sediado a partir de 1912 nas Necessidades, e que Lambertini, a sua filha Isaura e alguns dos empregados da sua loja de pianos tanto se empenharam em reunir e tratar, durou pouco mais de um ano, ficando à mercê da instabilidade política, sem um estatuto e uma estrutura sólidos que pudessem garantir-lhe a recolha e salvaguarda. Depressa o ex-futuro "museu" se revestiu de desinteresse aos olhos dos homens públicos e mostrou a sua fragilidade como projecto institucional ligado ao Estado Português. Apesar do desinteresse e do obstrucionismo burocrático perpetrados pelas entidades públicas, Lambertini não desistiu do intento de criar um Museu Instrumental em Lisboa, pelo que imaginou organizar um museu privado num dos andares dos prédios na Rua do Alecrim, com a anuência de António Carvalho Monteiro. O seu empenhamento em salvar um sem número de objectos, ficou uma vez mais assinalado ao longo dos três anos seguintes, sujeitando-se uma vez mais à árdua tarefa de manter viva a ideia de um projecto que iniciara em 1911, enquanto continuava a receber por doação ou depósito vários espécimes. Em 1914 Lambertini publica o 'Primeiro Núcleo de um Museu Instrumental em Lisboa: catalogo summario', referenciando 174 instrumentos músicos, 547 acessórios de instrumentos, 650 obras literárias e musicais e 109 espécies iconográficas. A este acervo se viria a juntar a colecção de instrumentos musicais de Alfredo Keil que Carvalho Monteiro adquiriu. O conjunto de peças reunido neste núcleo da exposição "Tempos e Contratempos" foi organizado obedecendo a critérios que o próprio Lambertini definiu na resenha do primeiro núcleo de instrumentos músicos, acessórios e livros. Inicialmente seria feita uma identificação sumária das peças existentes, com o intuito de reservar para o futuro o estudo dos pormenores históricos e técnicos, à luz dos conceitos desenvolvidos por Mahillon, mais tarde consagrados por Hornbostel-Sachs, e que levam em conta a classificação organológica dos instrumentos musicais traduzidos no agrupamento por famílias instrumentais e respectivas subdivisões. Este percurso não só facilita o diálogo como ainda vinca o carácter didáctico e interdisciplinar de que Michel'angelo Lambertini quis dotar a organização da colecção, justificados na escolha dos espécimes de valor étnico, na diversificação e várias proveniências dos instrumentos músicos. Neste núcleo encontramos instrumentos europeus vocacionados para uma tradição musical ocidental, mas também instrumentos de outras culturas e tradições. MHT in catálogo da exposição pág. 206
 
     
     
   
     
     
     
 
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